Psicóloga apresenta na tribuna resultados de pesquisa na área da saúde aplicada em Pomerode

Psicóloga apresenta na tribuna resultados de pesquisa na área da saúde aplicada em Pomerode

16 DE Agosto DE 2022
  • Sessões Ordinárias
  • Tribuna livre
  • 2022


  • A psicóloga e professora universitária Maria Júlia Zimmermann, idealizadora do ciclo de debates setting psicoterapias, ocupou a tribuna livre, na manhã desta terça-feira (16), no início da sessão ordinária. Ela também é especialista em Psicologia Clínica e Avaliação psicológica, mestranda em Saúde Coletiva e pesquisadora do grupo interdisciplinar de pesquisa em saúde.


    Na oportunidade, apresentou o resultado de uma pesquisa desenvolvida na FURB (Universidade Regional de Blumenau), no Centro de Ciências da Saúde, junto ao Mestrado de Saúde Coletiva, que avaliou as associações entre os maus tratos na infância e os tipos de temperamento afetivo na população de Pomerode, tendo como parceira a Universidade de Greifswald (Universitätsmedizin Greifswald), que deu início à pesquisa original na Alemanha, no contexto de pós queda do muro de Berlim. Pesquisadores daquela Universidade iniciaram o projeto para traçar um perfil de saúde daquela região, identificando as doenças prevalentes e os seus fatores de risco através de diversos exames realizados com a população.


    Explicou que o Projeto chama-se "Leben und Gesundheit – Vida e Saúde em Pomerode" e é uma parceria com o projeto "Leben und Gesundheit in Vorpommern", da Alemanha. Na comunidade científica internacional, a pesquisa é reconhecida pelo nome SHIP – Study of Health In Pomerania (Estudo da Saúde na Pomerânia). O nome utilizado no projeto realizado em Pomerode é SHIP - Study of Health In Pomerode - BRAZIL.


    Explanou que o objetivo do projeto da FURB foi construir uma linha de base de doenças prevalentes e fatores de risco no âmbito psicossocial para a formulação de indicadores aplicáveis na rede de atenção de saúde de Pomerode, tendo a parceria dos municípios de Pomerode e Blumenau e das pessoas envolvidas neste projeto. Disse que foi um estudo realizado a partir de amostra retirada da população de Pomerode, aplicando os mesmos testes e as mesmas entrevistas que foram aplicadas na população Greifswald, na Alemanha.


    Informou que fizeram parte da pesquisa 2488 pessoas entre 20 e 79 anos de ambos os sexos que tinham residência fixa em Pomerode por pelo menos seis meses. “A minha parte na pesquisa foi trabalhar com questionários de saúde mental e testes psicométricos que avaliaram a qualidade de sono, análise de consumo de tabaco e dependência de tabaco, consumo de álcool, além da aplicação de dois testes principais, a avaliação de perfil de temperamento e o questionário sobre traumas na infância”, explicou.


    Disse que a pesquisa conduzida associou os tipos de maus-tratos sofridos na infância com os tipos de perfis de temperamento na vida adulta em que foi perguntado para as pessoas já adultas como elas se sentiram em relação aos cuidados que foram oferecidos ou negados a ela quando crianças. Nesta pesquisa foram definidos cinco tipos de maus tratos, sendo abuso emocional,  negligência emocional, abuso físico, negligência física e abuso sexual.


    Explicou também o que são os perfis de temperamento, que são as características que constituem o indivíduo em si, sendo que o perfil de temperamento é que vai definir o ritmo biológico, as expressões de humor, a cognição, entre outros aspectos, tendo também relação com os maus tratos sofridos na infância. “Compreender quais perfis de temperamentos são influenciados por quais tipos de maus tratos na infância pode ajudar no direcionamento de investimentos na saúde pública para fazer uma oferta mais efetiva nos serviços de psicologia no sistema básico de saúde”, salientou. Ela citou os tipos de perfis de temperamento existentes. “Nós, indivíduos, podemos ter um pouco de cada um deles, mas quando esse temperamento é excessivo ele causa prejuízos na nossa vida funcional”, alertou.


    Maria Júlia apontou que a violência e os maus tratos na infância são um problema de saúde pública que traz impactos sociais e reflete na saúde mental das pessoas. Apontou que, segundo a Organização Mundial da Saúde, esses problemas afetam um terço da população mundial. “É um número bastante representativo e essas pessoas que sofreram maus tratos na infância acabam desenvolvendo algum tipo de transtorno mental na vida adulta e os custos relacionados a esses tratamentos psicológicos e psiquiátricos nos adultos são bastante elevados”, salientou.


    Expressou a necessidade de um investimento governamental forte no atendimento psicológico desses adultos para que seja de qualidade, atendendo a demanda. “São 2,8% dos recursos governamentais destinados globalmente para o tratamento dessas doenças mentais, que são insuficientes.  Estima-se que as desordens mentais representam 12% das comorbidades psíquicas que culminam em mortalidade precoce, além disso, 35% das pessoas vivem com psicopatologias ao longo da vida, que acabam causando muito prejuízo social, a incapacidade para o trabalho, menos anos de trabalho, etc.”, citou.


    Informou ainda que os maus tratos na infância são responsáveis por 28,9% dos transtornos mentais dos adultos, sendo um um fator de risco para tentativa de suicídio. Também apontou que, como consequência de maus tratos sofridos na infância, também podem aparecer sintomas de transtorno bipolar na adolescência ou no início da vida adulta. Sustentou que todos os fatores deveriam sensibilizar e levar as autoridades a considerar a prevenção dos maus tratos na infância como o melhor caminho para redução de psicopatologias na vida adulta.


    Por fim, ela apresentou os resultados obtidos com a pesquisa, entre eles aspectos sociais e também dados epidemiológicos. Nos dados epidemiológicos apontou a proporção de nenhuma ou apenas uma doença crônica de cardiopatia associada, citou os principais temperamentos afetivos encontrados e os maus tratos mais prevalentes naquela população avaliada. Também apresentou as conclusões do estudo, sendo que a depressão foi considerada o transtorno mental mais frequente e o perfil de temperamento depressivo foi o segundo menos frequente, entre outras informações. Também apontou que ficou evidente a relação de abuso e negligência física e emocional relacionada a todos os perfis, entre outras informações. 



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    Fonte: Assessoria de Imprensa CMB | Fotos: Ingrid Leonel | Imprensa CMB

    Psicóloga apresenta na tribuna resultados de pesquisa na área da saúde aplicada em Pomerode

    Psicóloga apresenta na tribuna resultados de pesquisa na área da saúde aplicada em Pomerode

    16 DE Agosto DE 2022
  • Sessões Ordinárias
  • Tribuna livre
  • 2022

  • A psicóloga e professora universitária Maria Júlia Zimmermann, idealizadora do ciclo de debates setting psicoterapias, ocupou a tribuna livre, na manhã desta terça-feira (16), no início da sessão ordinária. Ela também é especialista em Psicologia Clínica e Avaliação psicológica, mestranda em Saúde Coletiva e pesquisadora do grupo interdisciplinar de pesquisa em saúde.


    Na oportunidade, apresentou o resultado de uma pesquisa desenvolvida na FURB (Universidade Regional de Blumenau), no Centro de Ciências da Saúde, junto ao Mestrado de Saúde Coletiva, que avaliou as associações entre os maus tratos na infância e os tipos de temperamento afetivo na população de Pomerode, tendo como parceira a Universidade de Greifswald (Universitätsmedizin Greifswald), que deu início à pesquisa original na Alemanha, no contexto de pós queda do muro de Berlim. Pesquisadores daquela Universidade iniciaram o projeto para traçar um perfil de saúde daquela região, identificando as doenças prevalentes e os seus fatores de risco através de diversos exames realizados com a população.


    Explicou que o Projeto chama-se "Leben und Gesundheit – Vida e Saúde em Pomerode" e é uma parceria com o projeto "Leben und Gesundheit in Vorpommern", da Alemanha. Na comunidade científica internacional, a pesquisa é reconhecida pelo nome SHIP – Study of Health In Pomerania (Estudo da Saúde na Pomerânia). O nome utilizado no projeto realizado em Pomerode é SHIP - Study of Health In Pomerode - BRAZIL.


    Explanou que o objetivo do projeto da FURB foi construir uma linha de base de doenças prevalentes e fatores de risco no âmbito psicossocial para a formulação de indicadores aplicáveis na rede de atenção de saúde de Pomerode, tendo a parceria dos municípios de Pomerode e Blumenau e das pessoas envolvidas neste projeto. Disse que foi um estudo realizado a partir de amostra retirada da população de Pomerode, aplicando os mesmos testes e as mesmas entrevistas que foram aplicadas na população Greifswald, na Alemanha.


    Informou que fizeram parte da pesquisa 2488 pessoas entre 20 e 79 anos de ambos os sexos que tinham residência fixa em Pomerode por pelo menos seis meses. “A minha parte na pesquisa foi trabalhar com questionários de saúde mental e testes psicométricos que avaliaram a qualidade de sono, análise de consumo de tabaco e dependência de tabaco, consumo de álcool, além da aplicação de dois testes principais, a avaliação de perfil de temperamento e o questionário sobre traumas na infância”, explicou.


    Disse que a pesquisa conduzida associou os tipos de maus-tratos sofridos na infância com os tipos de perfis de temperamento na vida adulta em que foi perguntado para as pessoas já adultas como elas se sentiram em relação aos cuidados que foram oferecidos ou negados a ela quando crianças. Nesta pesquisa foram definidos cinco tipos de maus tratos, sendo abuso emocional,  negligência emocional, abuso físico, negligência física e abuso sexual.


    Explicou também o que são os perfis de temperamento, que são as características que constituem o indivíduo em si, sendo que o perfil de temperamento é que vai definir o ritmo biológico, as expressões de humor, a cognição, entre outros aspectos, tendo também relação com os maus tratos sofridos na infância. “Compreender quais perfis de temperamentos são influenciados por quais tipos de maus tratos na infância pode ajudar no direcionamento de investimentos na saúde pública para fazer uma oferta mais efetiva nos serviços de psicologia no sistema básico de saúde”, salientou. Ela citou os tipos de perfis de temperamento existentes. “Nós, indivíduos, podemos ter um pouco de cada um deles, mas quando esse temperamento é excessivo ele causa prejuízos na nossa vida funcional”, alertou.


    Maria Júlia apontou que a violência e os maus tratos na infância são um problema de saúde pública que traz impactos sociais e reflete na saúde mental das pessoas. Apontou que, segundo a Organização Mundial da Saúde, esses problemas afetam um terço da população mundial. “É um número bastante representativo e essas pessoas que sofreram maus tratos na infância acabam desenvolvendo algum tipo de transtorno mental na vida adulta e os custos relacionados a esses tratamentos psicológicos e psiquiátricos nos adultos são bastante elevados”, salientou.


    Expressou a necessidade de um investimento governamental forte no atendimento psicológico desses adultos para que seja de qualidade, atendendo a demanda. “São 2,8% dos recursos governamentais destinados globalmente para o tratamento dessas doenças mentais, que são insuficientes.  Estima-se que as desordens mentais representam 12% das comorbidades psíquicas que culminam em mortalidade precoce, além disso, 35% das pessoas vivem com psicopatologias ao longo da vida, que acabam causando muito prejuízo social, a incapacidade para o trabalho, menos anos de trabalho, etc.”, citou.


    Informou ainda que os maus tratos na infância são responsáveis por 28,9% dos transtornos mentais dos adultos, sendo um um fator de risco para tentativa de suicídio. Também apontou que, como consequência de maus tratos sofridos na infância, também podem aparecer sintomas de transtorno bipolar na adolescência ou no início da vida adulta. Sustentou que todos os fatores deveriam sensibilizar e levar as autoridades a considerar a prevenção dos maus tratos na infância como o melhor caminho para redução de psicopatologias na vida adulta.


    Por fim, ela apresentou os resultados obtidos com a pesquisa, entre eles aspectos sociais e também dados epidemiológicos. Nos dados epidemiológicos apontou a proporção de nenhuma ou apenas uma doença crônica de cardiopatia associada, citou os principais temperamentos afetivos encontrados e os maus tratos mais prevalentes naquela população avaliada. Também apresentou as conclusões do estudo, sendo que a depressão foi considerada o transtorno mental mais frequente e o perfil de temperamento depressivo foi o segundo menos frequente, entre outras informações. Também apontou que ficou evidente a relação de abuso e negligência física e emocional relacionada a todos os perfis, entre outras informações. 



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    Fonte: Assessoria de Imprensa CMB | Fotos: Ingrid Leonel | Imprensa CMB