CPI do Esgoto aponta fragilidades em contrato e discute redução de tarifa não aplicada em Blumenau
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Esgoto da Câmara de Blumenau realizou, na manhã desta terça-feira (14), mais uma reunião para esclarecer aspectos técnicos e jurídicos do contrato de concessão do esgotamento sanitário.
Foram
ouvidos o assessor jurídico da Agência Intermunicipal de Regulação (Agir),
Luciano Gabriel Henning, e o economista do Samae e integrante da Comissão
Permanente de Acompanhamento e Fiscalização do Serviço Público de Esgotamento
Sanitário (SPES), Leandro Henrique Fernandes de Sousa. Ambos prestaram
depoimento na condição de testemunhas.
Atuação da Agir nas
revisões tarifárias e no quinto termo aditivo
Em
seu depoimento, o representante da Agir explicou que a assessoria jurídica da
agência é responsável por analisar a legalidade de todos os processos de
reajuste e revisão tarifária submetidos à entidade. Henning atua desde 2013
acompanhando as propostas relativas ao contrato de Blumenau e esclareceu que
sua função é verificar se os pedidos apresentados estão em conformidade com a
legislação e com o contrato de concessão.
Sobre
a elaboração e análise do quinto termo aditivo, o assessor destacou que as
tratativas envolveram principalmente o Samae e a concessionária BRK Ambiental,
com a participação e deliberação da Agir, que emitiu pareceres e recomendações.
Segundo ele, as premissas do acordo foram construídas entre o poder concedente
e a concessionária, visando o reequilíbrio do contrato.
Henning
também relatou que o tema do sistema individual de fossa e filtro foi discutido
em diversas reuniões, mas que as definições técnicas e econômicas partiram do
Samae e do poder concedente. Ele lembrou que a Resolução nº 015/2024 da Agir
estabeleceu diretrizes básicas para o funcionamento do modelo de tratamento
individual, com base em estudos e avaliações de impacto.
O
assessor jurídico citou ainda que a Agir identificou irregularidades em
fiscalizações anteriores — como no processo nº 56/2019, que analisou obras e
valores declarados pela BRK — e recomendou a contratação de empresa especializada
para verificar os ativos entregues. Ele acrescentou que a Promotoria e o Centro
de Apoio Operacional do Ministério Público também emitiram parecer técnico
sobre o sistema fossa e filtro, recomendando a contratação de perícia
especializada.
Por
fim, informou que o Samae solicitou recentemente uma nova revisão tarifária
extraordinária - a primeira partindo da autarquia desde o começo do contrato.
Dessa forma, o processo já foi aberto e segue em análise pela Agir, ainda em
fase preliminar de deliberação.
Samae aponta problemas
no modelo de fossa e filtro e questiona o quinto termo aditivo
O
economista Leandro Henrique Fernandes de Sousa, do Samae, explicou que a
comissão da qual faz parte foi criada em 2023 para acompanhar e fiscalizar o
contrato de concessão, com reuniões semanais e caráter consultivo. Segundo ele,
desde 2019 os membros vêm analisando aspectos do contrato, embora ainda não
exista um regimento formal para as atividades do grupo.
Leandro
relatou que, em 2024, a comissão solicitou à Agir cópia integral do processo
referente ao quinto termo aditivo e, em 2025, emitiu manifestação apontando uma
série de problemas na proposta, especialmente relacionados ao sistema de fossa
e filtro e à formação de custos. O grupo considerou a solução apenas
temporária, alertando que a infraestrutura de drenagem não suportaria a
ampliação do modelo e recomendando que o aditivo não fosse assinado.
O
representante do Samae também recordou que, em 2020, houve discussões sobre o
reajuste negativo de 2,65% e alterações no Plano Municipal de Saneamento
Básico, que passou a ter revisões a cada dez anos — medida que, segundo ele,
limita a possibilidade de ajustes durante esta legislatura. Ele frisou ainda
que, à época, havia expectativa de reequilíbrio do contrato conforme as
recomendações da agência reguladora, embora a comissão tenha recorrido de
algumas decisões da Revisão Tarifária Ordinária (RTO) de 2023, por entender que
estavam equivocadas.
Presidente da CPI
aponta fragilidades e defende prorrogação dos trabalhos
O
presidente da CPI do Esgoto, vereador Diego Nasato (NOVO), destacou que as
oitivas reforçam fragilidades na condução do contrato e no processo de
assinatura do quinto termo aditivo.
“Foi
uma reunião muito importante, com duas pessoas técnicas trazendo informações
fundamentais para o trabalho da comissão. Ficou mais uma vez reconhecido que a
Agir recomendou que a assinatura do aditivo só ocorresse após o aprimoramento
da legislação municipal — ou seja, depois da aprovação do Plano Municipal de
Saneamento pela Câmara, com ampla discussão com a sociedade. Isso não foi
feito”, declarou Nasato.
“Além
disso, a comissão interna de acompanhamento do contrato de esgoto no Samae
também se manifestou contrária à assinatura. São dois elementos que pesam muito
sobre a legalidade do ato e mostram que os mecanismos de controle social não
foram devidamente respeitados”, afirmou o parlamentar.
Nasato acrescentou que a CPI deve solicitar a prorrogação dos trabalhos por até 60 dias, conforme o regimento interno, para incluir no relatório final as informações do estudo de consultoria em revisão tarifária.
“Existe uma decisão regulatória que determinava uma redução de aproximadamente 2,6% na tarifa de esgoto, que deveria ter sido aplicada até abril de 2024. Com a revogação do quinto termo aditivo, essa redução ainda não ocorreu, o que representa um prejuízo direto à população blumenauense, que continua pagando mais do que deveria”, completou.
Veja também:
Galeria de fotos da reunião - Parte I
Galeria de fotos da reunião - Parte II
CPI do Esgoto aponta fragilidades em contrato e discute redução de tarifa não aplicada em Blumenau
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Esgoto da Câmara de Blumenau realizou, na manhã desta terça-feira (14), mais uma reunião para esclarecer aspectos técnicos e jurídicos do contrato de concessão do esgotamento sanitário.
Foram
ouvidos o assessor jurídico da Agência Intermunicipal de Regulação (Agir),
Luciano Gabriel Henning, e o economista do Samae e integrante da Comissão
Permanente de Acompanhamento e Fiscalização do Serviço Público de Esgotamento
Sanitário (SPES), Leandro Henrique Fernandes de Sousa. Ambos prestaram
depoimento na condição de testemunhas.
Atuação da Agir nas
revisões tarifárias e no quinto termo aditivo
Em
seu depoimento, o representante da Agir explicou que a assessoria jurídica da
agência é responsável por analisar a legalidade de todos os processos de
reajuste e revisão tarifária submetidos à entidade. Henning atua desde 2013
acompanhando as propostas relativas ao contrato de Blumenau e esclareceu que
sua função é verificar se os pedidos apresentados estão em conformidade com a
legislação e com o contrato de concessão.
Sobre
a elaboração e análise do quinto termo aditivo, o assessor destacou que as
tratativas envolveram principalmente o Samae e a concessionária BRK Ambiental,
com a participação e deliberação da Agir, que emitiu pareceres e recomendações.
Segundo ele, as premissas do acordo foram construídas entre o poder concedente
e a concessionária, visando o reequilíbrio do contrato.
Henning
também relatou que o tema do sistema individual de fossa e filtro foi discutido
em diversas reuniões, mas que as definições técnicas e econômicas partiram do
Samae e do poder concedente. Ele lembrou que a Resolução nº 015/2024 da Agir
estabeleceu diretrizes básicas para o funcionamento do modelo de tratamento
individual, com base em estudos e avaliações de impacto.
O
assessor jurídico citou ainda que a Agir identificou irregularidades em
fiscalizações anteriores — como no processo nº 56/2019, que analisou obras e
valores declarados pela BRK — e recomendou a contratação de empresa especializada
para verificar os ativos entregues. Ele acrescentou que a Promotoria e o Centro
de Apoio Operacional do Ministério Público também emitiram parecer técnico
sobre o sistema fossa e filtro, recomendando a contratação de perícia
especializada.
Por
fim, informou que o Samae solicitou recentemente uma nova revisão tarifária
extraordinária - a primeira partindo da autarquia desde o começo do contrato.
Dessa forma, o processo já foi aberto e segue em análise pela Agir, ainda em
fase preliminar de deliberação.
Samae aponta problemas
no modelo de fossa e filtro e questiona o quinto termo aditivo
O
economista Leandro Henrique Fernandes de Sousa, do Samae, explicou que a
comissão da qual faz parte foi criada em 2023 para acompanhar e fiscalizar o
contrato de concessão, com reuniões semanais e caráter consultivo. Segundo ele,
desde 2019 os membros vêm analisando aspectos do contrato, embora ainda não
exista um regimento formal para as atividades do grupo.
Leandro
relatou que, em 2024, a comissão solicitou à Agir cópia integral do processo
referente ao quinto termo aditivo e, em 2025, emitiu manifestação apontando uma
série de problemas na proposta, especialmente relacionados ao sistema de fossa
e filtro e à formação de custos. O grupo considerou a solução apenas
temporária, alertando que a infraestrutura de drenagem não suportaria a
ampliação do modelo e recomendando que o aditivo não fosse assinado.
O
representante do Samae também recordou que, em 2020, houve discussões sobre o
reajuste negativo de 2,65% e alterações no Plano Municipal de Saneamento
Básico, que passou a ter revisões a cada dez anos — medida que, segundo ele,
limita a possibilidade de ajustes durante esta legislatura. Ele frisou ainda
que, à época, havia expectativa de reequilíbrio do contrato conforme as
recomendações da agência reguladora, embora a comissão tenha recorrido de
algumas decisões da Revisão Tarifária Ordinária (RTO) de 2023, por entender que
estavam equivocadas.
Presidente da CPI
aponta fragilidades e defende prorrogação dos trabalhos
O
presidente da CPI do Esgoto, vereador Diego Nasato (NOVO), destacou que as
oitivas reforçam fragilidades na condução do contrato e no processo de
assinatura do quinto termo aditivo.
“Foi
uma reunião muito importante, com duas pessoas técnicas trazendo informações
fundamentais para o trabalho da comissão. Ficou mais uma vez reconhecido que a
Agir recomendou que a assinatura do aditivo só ocorresse após o aprimoramento
da legislação municipal — ou seja, depois da aprovação do Plano Municipal de
Saneamento pela Câmara, com ampla discussão com a sociedade. Isso não foi
feito”, declarou Nasato.
“Além
disso, a comissão interna de acompanhamento do contrato de esgoto no Samae
também se manifestou contrária à assinatura. São dois elementos que pesam muito
sobre a legalidade do ato e mostram que os mecanismos de controle social não
foram devidamente respeitados”, afirmou o parlamentar.
Nasato acrescentou que a CPI deve solicitar a prorrogação dos trabalhos por até 60 dias, conforme o regimento interno, para incluir no relatório final as informações do estudo de consultoria em revisão tarifária.
“Existe uma decisão regulatória que determinava uma redução de aproximadamente 2,6% na tarifa de esgoto, que deveria ter sido aplicada até abril de 2024. Com a revogação do quinto termo aditivo, essa redução ainda não ocorreu, o que representa um prejuízo direto à população blumenauense, que continua pagando mais do que deveria”, completou.
Veja também:
Galeria de fotos da reunião - Parte I
Galeria de fotos da reunião - Parte II
