Agir apresenta detalhes do fluxo de caixa e explica frustração de receita na CPI do Esgoto
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Esgoto da Câmara de Vereadores de Blumenau recebeu novamente, na reunião desta terça-feira (28), representantes e técnicos da Agência Intermunicipal de Regulação de Serviços Públicos (Agir). Compareceram o diretor-geral da agência, Paulo Costa, a coordenadora de serviços regulados, Tamires Smaniotto, e o gerente de regulação, André Goetzinger.
O
objetivo foi detalhar o fluxo de caixa
do contrato de concessão dos serviços de esgotamento sanitário, desde o
edital até a execução, e esclarecer a
origem da frustração de receita observada ao longo do contrato.
Apresentação técnica da Agir
Durante a
reunião, os técnicos da Agir explicaram que o fluxo de caixa da concessão tem origem no plano de negócios apresentado pela concessionária vencedora da Concorrência nº 04/2009, que deu
início ao processo de concessão. Esse plano de negócios — base do contrato
firmado com o Município — contemplava uma previsão de investimentos de R$ 310 milhões, considerando uma cobertura inicial de 23% dos serviços
de esgoto.
A
coordenadora Tamires Smaniotto
destacou que o contrato foi estruturado prevendo a incorporação das obras de
esgotamento sanitário financiadas com recursos do PAC e da Funasa,
que estavam em andamento à época. “A proposta comercial da concessionária foi
elaborada partindo da premissa de que essas obras seriam recebidas, o que
influenciou diretamente o equilíbrio econômico-financeiro do contrato”,
explicou.
Tamires
também ressaltou que a ordem de serviço
foi emitida em 13 de abril de 2010,
data que marca o início efetivo da
concessão, com prazo contratual
de 45 anos. A partir desse momento, a concessionária passou a operar sob
a expectativa de receitas proporcionais à cobertura de 23,2% prevista para o
primeiro ano.
Equilíbrio econômico-financeiro e revisões
contratuais
Os
representantes da Agir explicaram que o contrato é regido pelo princípio do equilíbrio econômico-financeiro,
previsto em cláusula específica do documento e em legislações como a Lei de Diretrizes de Saneamento Básico
e a Lei de Licitações.
Foram
abordadas as medidas possíveis para
reequilíbrio contratual, como a revisão
tarifária ordinária e extraordinária, a alteração de prazos e metas, a compensação financeira, e a prorrogação de prazos de concessão.
O
diretor-geral Paulo Costa
destacou que, entre todas as alternativas previstas, a única não utilizada até hoje foi a compensação financeira,
mecanismo que permitiria ao Município aportar recursos para reduzir o impacto
tarifário sobre os usuários.
Questionamentos da CPI
O
presidente da CPI, vereador Diego
Nasato (NOVO), avaliou que o contrato não deveria ter sido assinado nas
condições iniciais, diante da ausência de cobertura efetiva.
“Fica
muito claro para mim que foi uma afronta ao princípio da legalidade assinar um
contrato de concessão deliberadamente com frustração de receitas. Impressiona
que as gestões e a própria agência reguladora não tenham apontado a ilegalidade
dessas condições”, afirmou.
Nasato
também questionou a ausência de
manifestações da Agir sobre aspectos técnicos, como o percentual de
cobertura de fossas e filtros, a qualidade
das obras executadas e a fiscalização
do contrato pelo Samae. Em resposta, Paulo Costa esclareceu que não
cabe à agência reguladora avaliar a legalidade do contrato, mas sim fiscalizar sua execução.
“Cabe à
Procuradoria do Município e à Justiça analisar a legalidade. Em nenhuma decisão
judicial houve questionamento sobre a validade do contrato. Nosso papel é
cobrar, notificar e fiscalizar o cumprimento das obrigações por parte dos entes
envolvidos”, reforçou o diretor-geral.
Conclusões da reunião
Ao
encerrar a reunião, o vereador Diego
Nasato destacou que o objetivo de ouvir novamente a Agir foi determinar o momento exato em que se iniciou
a frustração de receitas.
“O senhor
Paulo Costa apresentou informações técnicas e relatórios da Fundação Getúlio
Vargas, confirmando que o dia 13 de abril de 2010 marca o início do primeiro
ano regulatório. É nesse momento que começam a ser contabilizadas as
frustrações de receita”, observou.
Nasato
concluiu que o contrato nasceu com
falhas estruturais, uma vez que previa obras que o Município não
entregou, e que esse desequilíbrio gera
reflexos até hoje, impactando as tarifas e a sustentabilidade financeira
do sistema.
“A
população segue pagando contas relacionadas a 2010, e, se nada for corrigido,
continuará pagando de forma cumulativa por décadas”, alertou o parlamentar.
Por fim, a Agir também informou que recomendou ao Samae a aplicação imediata do desconto de 2,63% nas tarifas, previsto desde o ano passado, ou a inclusão do tema na próxima revisão tarifária extraordinária solicitada pela autarquia.
Galeria de fotos da reunião - parte 1
Galeria de fotos da reunião - parte 2
Agir apresenta detalhes do fluxo de caixa e explica frustração de receita na CPI do Esgoto
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Esgoto da Câmara de Vereadores de Blumenau recebeu novamente, na reunião desta terça-feira (28), representantes e técnicos da Agência Intermunicipal de Regulação de Serviços Públicos (Agir). Compareceram o diretor-geral da agência, Paulo Costa, a coordenadora de serviços regulados, Tamires Smaniotto, e o gerente de regulação, André Goetzinger.
O
objetivo foi detalhar o fluxo de caixa
do contrato de concessão dos serviços de esgotamento sanitário, desde o
edital até a execução, e esclarecer a
origem da frustração de receita observada ao longo do contrato.
Apresentação técnica da Agir
Durante a
reunião, os técnicos da Agir explicaram que o fluxo de caixa da concessão tem origem no plano de negócios apresentado pela concessionária vencedora da Concorrência nº 04/2009, que deu
início ao processo de concessão. Esse plano de negócios — base do contrato
firmado com o Município — contemplava uma previsão de investimentos de R$ 310 milhões, considerando uma cobertura inicial de 23% dos serviços
de esgoto.
A
coordenadora Tamires Smaniotto
destacou que o contrato foi estruturado prevendo a incorporação das obras de
esgotamento sanitário financiadas com recursos do PAC e da Funasa,
que estavam em andamento à época. “A proposta comercial da concessionária foi
elaborada partindo da premissa de que essas obras seriam recebidas, o que
influenciou diretamente o equilíbrio econômico-financeiro do contrato”,
explicou.
Tamires
também ressaltou que a ordem de serviço
foi emitida em 13 de abril de 2010,
data que marca o início efetivo da
concessão, com prazo contratual
de 45 anos. A partir desse momento, a concessionária passou a operar sob
a expectativa de receitas proporcionais à cobertura de 23,2% prevista para o
primeiro ano.
Equilíbrio econômico-financeiro e revisões
contratuais
Os
representantes da Agir explicaram que o contrato é regido pelo princípio do equilíbrio econômico-financeiro,
previsto em cláusula específica do documento e em legislações como a Lei de Diretrizes de Saneamento Básico
e a Lei de Licitações.
Foram
abordadas as medidas possíveis para
reequilíbrio contratual, como a revisão
tarifária ordinária e extraordinária, a alteração de prazos e metas, a compensação financeira, e a prorrogação de prazos de concessão.
O
diretor-geral Paulo Costa
destacou que, entre todas as alternativas previstas, a única não utilizada até hoje foi a compensação financeira,
mecanismo que permitiria ao Município aportar recursos para reduzir o impacto
tarifário sobre os usuários.
Questionamentos da CPI
O
presidente da CPI, vereador Diego
Nasato (NOVO), avaliou que o contrato não deveria ter sido assinado nas
condições iniciais, diante da ausência de cobertura efetiva.
“Fica
muito claro para mim que foi uma afronta ao princípio da legalidade assinar um
contrato de concessão deliberadamente com frustração de receitas. Impressiona
que as gestões e a própria agência reguladora não tenham apontado a ilegalidade
dessas condições”, afirmou.
Nasato
também questionou a ausência de
manifestações da Agir sobre aspectos técnicos, como o percentual de
cobertura de fossas e filtros, a qualidade
das obras executadas e a fiscalização
do contrato pelo Samae. Em resposta, Paulo Costa esclareceu que não
cabe à agência reguladora avaliar a legalidade do contrato, mas sim fiscalizar sua execução.
“Cabe à
Procuradoria do Município e à Justiça analisar a legalidade. Em nenhuma decisão
judicial houve questionamento sobre a validade do contrato. Nosso papel é
cobrar, notificar e fiscalizar o cumprimento das obrigações por parte dos entes
envolvidos”, reforçou o diretor-geral.
Conclusões da reunião
Ao
encerrar a reunião, o vereador Diego
Nasato destacou que o objetivo de ouvir novamente a Agir foi determinar o momento exato em que se iniciou
a frustração de receitas.
“O senhor
Paulo Costa apresentou informações técnicas e relatórios da Fundação Getúlio
Vargas, confirmando que o dia 13 de abril de 2010 marca o início do primeiro
ano regulatório. É nesse momento que começam a ser contabilizadas as
frustrações de receita”, observou.
Nasato
concluiu que o contrato nasceu com
falhas estruturais, uma vez que previa obras que o Município não
entregou, e que esse desequilíbrio gera
reflexos até hoje, impactando as tarifas e a sustentabilidade financeira
do sistema.
“A
população segue pagando contas relacionadas a 2010, e, se nada for corrigido,
continuará pagando de forma cumulativa por décadas”, alertou o parlamentar.
Por fim, a Agir também informou que recomendou ao Samae a aplicação imediata do desconto de 2,63% nas tarifas, previsto desde o ano passado, ou a inclusão do tema na próxima revisão tarifária extraordinária solicitada pela autarquia.
Galeria de fotos da reunião - parte 1
Galeria de fotos da reunião - parte 2
