Reunião de Comissão reúne órgãos para discutir a segurança no ambiente escolar em Blumenau
A Comissão Legislativa Temporária Especial para discussão e proposição de medidas relacionadas à segurança nas escolas e Centros de Educação Infantil (CEIs) realizou, na manhã desta quinta-feira (14), uma reunião com as participações de representantes de diferentes secretarias, órgãos e instituições ligadas à educação, segurança, saúde e proteção da infância. A comissão foi criada para discutir ações, protocolos e estratégias voltadas à segurança no ambiente escolar.
Estiveram presentes
representantes das secretarias municipais de Educação (Semed), Saúde (Semus),
Desenvolvimento Social (Semudes), Trânsito e Transportes (SMTT), Defesa Civil
(Sedec), Guarda Municipal de Trânsito, além do Conselho Tutelar, do Ministério
Público de Santa Catarina, da OAB de Santa Catarina, da Polícia Militar, da
Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros, do Projeto Vamos Salvar o Dia, da
Procuradoria da Criança e do Adolescente e do Observatório Social de Blumenau.
A comissão é presidida
pela vereadora Cristiane Loureiro (Podemos), tendo como vice-presidente a
vereadora Silmara Miguel (PSD) e como relator o vereador Rodrigo Marchetti
(PP). Também integram o grupo os vereadores Alexandre Matias (PSDB), que é
líder do governo na Câmara, e Professor Gilson de Souza (União Brasil).
Durante a reunião, foi
feita uma oitiva de autoridades, membros de órgãos públicos e secretarias
municipais sobre as ações atualmente desenvolvidas, protocolos e estratégias
voltadas à segurança no ambiente escolar, à prevenção à violência, a saúde
mental da comunidade escolar e o atendimento e suporte às famílias.
Além disso, foram
apresentados os desafios enfrentados atualmente e quais medidas ainda podem ser
aprimoradas para garantir mais segurança às crianças, aos profissionais de
educação e às famílias. Por fim, foram apontados encaminhamentos para as
próximas reuniões.
“Nenhuma instituição
resolve sozinha um problema tão complexo e, por isso, essa comissão busca
fortalecer o diálogo e a atuação conjunta. Nós queremos ouvir a comunidade
escolar, compreender as necessidades das unidades de ensino e construir
encaminhamentos concretos que possam contribuir para um ambiente mais seguro,
acolhedor e preparado para prevenir ações de riscos”, apontou a presidente no
início da reunião.
Pronunciamentos das
forças de segurança
O comandante do 10º
Batalhão de Polícia Militar de Blumenau, tenente-coronel Heintje Heerdt,
apontou que o batalhão já tratava a segurança escolar como uma pauta
importante, especialmente após o ataque ocorrido em Saudades. Na época, a
corporação identificou vulnerabilidades no ambiente escolar e percebeu a
influência de ataques semelhantes que aconteciam nos Estados Unidos. A partir
disso, iniciou-se um trabalho ainda não institucionalizado de prevenção, com
visitas às escolas e ações de consultoria.
O tenente-coronel
explicou que com o ataque na creche Cantinho Bom Pastor, em abril de 2023, surgiu
a necessidade de padronizar e formalizar essas ações e por isso foi desenvolvido
o Protocolo FEL, que é “fugir, esconder e lutar”, inspirado em diretrizes do
FBI.
“O protocolo tem como
objetivo principal sensibilizar escolas, professores e também a tropa policial
para situações de risco. Além disso, o planejamento inclui outras etapas, como
o aprimoramento da capacitação policial para o primeiro atendimento em
ocorrências e a preparação das escolas para possíveis incidentes. Apesar de
esses ataques serem fatos isolados, existem os grandes impactos causados,
especialmente a dor vivida pelas famílias atingidas”, apontou o comandante.
Ele ainda acrescentou que a Polícia
Militar também está realizando um trabalho em conjunto com as escolas como o
Proerd, como as rondas escolares e com contato direto entre a Secretaria
Municipal de Educação, a Coordenação Estadual de Educação e as escolas
particulares para acompanhar os problemas que surgem no ambiente escolar. O
objetivo é identificar e tratar as situações preventivamente, evitando que
evoluam e se tornem casos de polícia.
O Corpo de Bombeiros Militar destacou
que vem desenvolvendo ações educativas voltadas à segurança nas escolas, dentro
de suas possibilidades. Entre os projetos citados estão o Bombeiro Mirim, que
leva orientações sobre primeiros socorros, combate a incêndio e cidadania às
crianças, e o Projeto Golfinho, voltado à prevenção de afogamentos, uma das
principais causas de morte infantil no Brasil.
A corporação também promove
capacitação para professores e profissionais da educação, por meio de cursos à
distância de atendimento a emergências e treinamentos práticos de primeiros
socorros e combate a incêndio. Com a implementação da Lei Lucas, se exige
capacitação básica em primeiros socorros para profissionais da educação do
Estado que atuam com crianças, o Corpo de Bombeiros criou um curso gratuito de
ensino à distância disponível para todos os profissionais da educação do Estado
sobre primeiros socorros e combate a incêndios.
O representante do Corpo de Bombeiros
também adiantou uma parceria com a Defesa Civil do município para a realização
de palestras sobre primeiros socorros em situações de ataques em escolas, com
foco especial na contenção de hemorragias severas.
Por fim, o 3º Batalhão de Bombeiros
Militar, em parceria com o Ministério Público, informou que vem realizando uma
análise da situação de segurança das escolas públicas de Blumenau.
Foi constatado que a maioria das
unidades possui os equipamentos básicos de prevenção e combate a incêndio, no
entanto, foi identificado um problema significativo na regularização documental
das escolas, apontando que muitas instituições não possuem a documentação
exigida em dia, que comprovam a manutenção e o correto funcionamento dos
sistemas de segurança. O Corpo de Bombeiros reforçou a necessidade de melhorar
os processos burocráticos e documentais, para assegurar que todas as escolas
mantenham, de forma contínua, as condições de segurança previstas nos projetos
aprovados.
A Delegacia de Proteção à Criança,
Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI) da Polícia Civil também esteve representada.
Na ocasião foi apresentada uma reestruturação recente da Polícia Civil em
Blumenau, com a divisão da antiga delegacia de Proteção à Criança, Adolescente,
Mulher e Idoso em três unidades especializadas: a Delegacia de Atendimento à
Mulher, a Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente e ao Idoso e a
Delegacia do Adolescente em Conflito com a Lei. A mudança foi destacada como um
esforço de especialização para aprimorar a atividade investigativa.
Também foi mencionado o desafio da
falta de efetivo na Polícia Civil, com a expectativa de reforço no quadro de
agentes e escrivães até o final do ano, o que deve melhorar o atendimento e as
investigações. Por fim, foi sugerida a necessidade de aprimorar ou implementar
um protocolo de comunicação institucional entre os órgãos que atuam com
crianças e adolescentes em Blumenau, com o objetivo de tornar os fluxos de
atendimento mais integrados e eficientes.
O Ministério Público apresentou as
ações na Comarca de Blumenau, por meio do projeto Escola Restaurativa. A
iniciativa, construída com apoio da Secretaria Municipal de Educação, da rede
estadual de ensino e das equipes multidisciplinares, é baseada nos fundamentos
e conceitos vindos da Justiça Restaurativa, metodologia que tem mostrado
resultados positivos na resolução de conflitos complexos.
O projeto tem como principal objetivo
o fomento da cultura de paz nas escolas públicas e privadas de Santa Catarina,
por meio de ações de sensibilização, formação e capacitação voluntária
de pessoas interessadas em atuar na prevenção, mediação e resolução de
conflitos no ambiente escolar.
Foi destacado ainda que o projeto
Escola Restaurativa atua em três pilares principais: prevenção, resolução e
transformação de conflitos no ambiente escolar. A proposta busca envolver
diretamente as pessoas responsáveis pelos conflitos na construção das soluções,
evitando que os problemas se repitam e que haja o envolvimento de toda a
comunidade escolar. O objetivo é mobilizar toda a sociedade em torno da
construção de ambientes escolares mais seguros, acolhedores e preparados para
as futuras gerações.
Secretarias e órgãos municipais
A representante da Procuradoria da
Criança e do Adolescente da Câmara de Vereadores, Adriana Laurentino Moreira,
demonstrou sua preocupação com o sofrimento emocional presente no ambiente
escolar, percebido em crianças, famílias, professores e gestores durante
visitas realizadas às escolas para palestras sobre bullying, atos infracionais
e limites. Foi ressaltado que o adoecimento emocional tem atingido diferentes
setores da comunidade escolar e que a situação exige ações concretas e
efetivas. Ela também ressaltou que esse sofrimento e a violência nas escolas
acabam assumindo o espaço que deveria ser de aprendizado e construção de
conhecimento.
Em sua fala destacou ainda que
vítimas de violência, bullying e ameaças frequentemente enfrentam dificuldades
no acesso ao atendimento adequado, devido a falhas de encaminhamento,
comunicação entre órgãos e ausência de fluxos claros de atuação. Diante disso,
foi enfatizada a necessidade de fortalecer a articulação entre escola, família,
assistência social, saúde, Conselho Tutelar, segurança pública e Ministério
Público, para garantir respostas mais rápidas, preventivas e eficientes.
Também foi defendido o reforço dos
regimentos escolares, da autoridade legítima do professor e da formação dos
alunos sobre direitos, deveres, respeito e consequências de comportamentos
inadequados, como forma de contribuir para um ambiente escolar mais seguro e
organizado.
A secretária municipal de Educação,
Simone Probst, defendeu que o tema da segurança escolar não depende apenas da
implantação de sistemas e estruturas físicas de segurança, mas também do
enfrentamento dos problemas de saúde mental presentes na sociedade.
Nesse sentido, ela apontou que a
Secretaria Municipal de Educação criou uma diretoria específica voltada à
equidade, inclusão e segurança escolar, integrando programas e projetos
desenvolvidos em parceria com diferentes setores. Um dos principais avanços
apontados pela secretária foi a ampliação das equipes multiprofissionais nas
escolas.
Segundo a dirigente da pasta, em
2023, a rede contava com apenas dois profissionais, sendo um da área de
assistência social e um psicólogo; atualmente, são 57 profissionais, entre
psicólogos e assistentes sociais, atuando nas 132 instituições de ensino do
município para fazer o acompanhamento, acolher as demandas e fazer os
encaminhamentos necessários em conjunto com as diversas secretarias e órgãos
parceiros, que têm trabalhado na questão da saúde mental na cidade.
Os representantes da Defesa Civil do
município explanaram sobre um histórico de trabalho realizado juntamente com o
Corpo de Bombeiros em relação à segurança escolar que já vinha sendo
desenvolvido desde 2007, mas que época, as ações eram realizadas de forma mais
pontual e incluíam treinamentos de evacuação e abandono em algumas escolas, que
buscavam espontaneamente o apoio da corporação. A partir de 2012 foram
incluídas todas as escolas da rede municipal e a partir do ano de 2019 foram
incluídos todos os centros de educação infantil, onde são executadas as
capacitações e colocados em prática os planos de evacuação.
Já a partir de 2025, a Defesa Civil
passou a incluir também grande parte das escolas estaduais do município. Também
se destacou o projeto Defesa Civil na Escola e o Projeto Agente Mirim de Defesa
Civil, além de capacitações para professores e diretores, com foco na
preparação tanto de educadores quanto de alunos para situações de risco.
Plano Municipal de Segurança Escolar
A Defesa Civil explicou que Blumenau
já possui um Plano Municipal de Segurança Escolar, considerado pioneiro no país
e estruturado há cerca de dois anos. Reconheceu as dificuldades técnicas,
políticas e financeiras que atrasaram sua implementação, mas foi dito que, na
atual gestão, houve avanços significativos na retomada e execução das ações.
O plano é apresentado como resultado
de um trabalho integrado entre diversas instituições, incluindo Defesa Civil,
Secretaria de Educação, Saúde, Assistência Social, Guarda Municipal de
Trânsito, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, SAMU, Polícia Civil, Polícia
Rodoviária Federal e Polícia Científica, caracterizando uma construção técnica
e multidisciplinar.
Também foi esclarecido que as escolas
não são responsáveis por elaborar planos de segurança pública, mas sim por
organizar seus próprios protocolos internos de resposta, com base no plano
municipal. Isso envolve a definição de responsabilidades internas, fluxos de
comunicação e adaptação dos procedimentos à realidade física de cada unidade
escolar. Outro ponto destacado é que essa implementação está sendo feita de
forma gradual e estruturada e sendo conduzida pela Defesa Civil e pela
Secretaria de Educação.
Além disso, foi mencionado que a
capacitação dos profissionais da educação já está em andamento e está sendo
realizada em conjunto com o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil, a Secretaria de
Educação e Secretaria de Saúde. Foi informado que, atualmente, duas unidades
piloto já estão completamente capacitadas e já com simulados de ataque ativo
pré-agendados, que servirá de teste para a ampliação de toda a rede.
Próximos passos
Segundo a presidente, a partir deste
encontro, a ideia é criar grupos menores de discussões com temáticas para
estruturar melhor os encaminhamentos das próximas ações. Adiantou ainda a
possibilidade de visitas nas escolas para ouvir a comunidade escolar e estender
o convite para outras instituições que não compareceram nesta data. A próxima
reunião está agendada para o dia 11 de junho, às 9h, na Câmara.
Fonte: Assessoria de Imprensa CMB | Fotos: Rogério Pires | Imprensa CMB
Veja também
O álbum de fotos da reunião - Parte I
O álbum de fotos da reunião - Parte II
Reunião de Comissão reúne órgãos para discutir a segurança no ambiente escolar em Blumenau
A Comissão Legislativa Temporária Especial para discussão e proposição de medidas relacionadas à segurança nas escolas e Centros de Educação Infantil (CEIs) realizou, na manhã desta quinta-feira (14), uma reunião com as participações de representantes de diferentes secretarias, órgãos e instituições ligadas à educação, segurança, saúde e proteção da infância. A comissão foi criada para discutir ações, protocolos e estratégias voltadas à segurança no ambiente escolar.
Estiveram presentes
representantes das secretarias municipais de Educação (Semed), Saúde (Semus),
Desenvolvimento Social (Semudes), Trânsito e Transportes (SMTT), Defesa Civil
(Sedec), Guarda Municipal de Trânsito, além do Conselho Tutelar, do Ministério
Público de Santa Catarina, da OAB de Santa Catarina, da Polícia Militar, da
Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros, do Projeto Vamos Salvar o Dia, da
Procuradoria da Criança e do Adolescente e do Observatório Social de Blumenau.
A comissão é presidida
pela vereadora Cristiane Loureiro (Podemos), tendo como vice-presidente a
vereadora Silmara Miguel (PSD) e como relator o vereador Rodrigo Marchetti
(PP). Também integram o grupo os vereadores Alexandre Matias (PSDB), que é
líder do governo na Câmara, e Professor Gilson de Souza (União Brasil).
Durante a reunião, foi
feita uma oitiva de autoridades, membros de órgãos públicos e secretarias
municipais sobre as ações atualmente desenvolvidas, protocolos e estratégias
voltadas à segurança no ambiente escolar, à prevenção à violência, a saúde
mental da comunidade escolar e o atendimento e suporte às famílias.
Além disso, foram
apresentados os desafios enfrentados atualmente e quais medidas ainda podem ser
aprimoradas para garantir mais segurança às crianças, aos profissionais de
educação e às famílias. Por fim, foram apontados encaminhamentos para as
próximas reuniões.
“Nenhuma instituição
resolve sozinha um problema tão complexo e, por isso, essa comissão busca
fortalecer o diálogo e a atuação conjunta. Nós queremos ouvir a comunidade
escolar, compreender as necessidades das unidades de ensino e construir
encaminhamentos concretos que possam contribuir para um ambiente mais seguro,
acolhedor e preparado para prevenir ações de riscos”, apontou a presidente no
início da reunião.
Pronunciamentos das
forças de segurança
O comandante do 10º
Batalhão de Polícia Militar de Blumenau, tenente-coronel Heintje Heerdt,
apontou que o batalhão já tratava a segurança escolar como uma pauta
importante, especialmente após o ataque ocorrido em Saudades. Na época, a
corporação identificou vulnerabilidades no ambiente escolar e percebeu a
influência de ataques semelhantes que aconteciam nos Estados Unidos. A partir
disso, iniciou-se um trabalho ainda não institucionalizado de prevenção, com
visitas às escolas e ações de consultoria.
O tenente-coronel
explicou que com o ataque na creche Cantinho Bom Pastor, em abril de 2023, surgiu
a necessidade de padronizar e formalizar essas ações e por isso foi desenvolvido
o Protocolo FEL, que é “fugir, esconder e lutar”, inspirado em diretrizes do
FBI.
“O protocolo tem como
objetivo principal sensibilizar escolas, professores e também a tropa policial
para situações de risco. Além disso, o planejamento inclui outras etapas, como
o aprimoramento da capacitação policial para o primeiro atendimento em
ocorrências e a preparação das escolas para possíveis incidentes. Apesar de
esses ataques serem fatos isolados, existem os grandes impactos causados,
especialmente a dor vivida pelas famílias atingidas”, apontou o comandante.
Ele ainda acrescentou que a Polícia
Militar também está realizando um trabalho em conjunto com as escolas como o
Proerd, como as rondas escolares e com contato direto entre a Secretaria
Municipal de Educação, a Coordenação Estadual de Educação e as escolas
particulares para acompanhar os problemas que surgem no ambiente escolar. O
objetivo é identificar e tratar as situações preventivamente, evitando que
evoluam e se tornem casos de polícia.
O Corpo de Bombeiros Militar destacou
que vem desenvolvendo ações educativas voltadas à segurança nas escolas, dentro
de suas possibilidades. Entre os projetos citados estão o Bombeiro Mirim, que
leva orientações sobre primeiros socorros, combate a incêndio e cidadania às
crianças, e o Projeto Golfinho, voltado à prevenção de afogamentos, uma das
principais causas de morte infantil no Brasil.
A corporação também promove
capacitação para professores e profissionais da educação, por meio de cursos à
distância de atendimento a emergências e treinamentos práticos de primeiros
socorros e combate a incêndio. Com a implementação da Lei Lucas, se exige
capacitação básica em primeiros socorros para profissionais da educação do
Estado que atuam com crianças, o Corpo de Bombeiros criou um curso gratuito de
ensino à distância disponível para todos os profissionais da educação do Estado
sobre primeiros socorros e combate a incêndios.
O representante do Corpo de Bombeiros
também adiantou uma parceria com a Defesa Civil do município para a realização
de palestras sobre primeiros socorros em situações de ataques em escolas, com
foco especial na contenção de hemorragias severas.
Por fim, o 3º Batalhão de Bombeiros
Militar, em parceria com o Ministério Público, informou que vem realizando uma
análise da situação de segurança das escolas públicas de Blumenau.
Foi constatado que a maioria das
unidades possui os equipamentos básicos de prevenção e combate a incêndio, no
entanto, foi identificado um problema significativo na regularização documental
das escolas, apontando que muitas instituições não possuem a documentação
exigida em dia, que comprovam a manutenção e o correto funcionamento dos
sistemas de segurança. O Corpo de Bombeiros reforçou a necessidade de melhorar
os processos burocráticos e documentais, para assegurar que todas as escolas
mantenham, de forma contínua, as condições de segurança previstas nos projetos
aprovados.
A Delegacia de Proteção à Criança,
Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI) da Polícia Civil também esteve representada.
Na ocasião foi apresentada uma reestruturação recente da Polícia Civil em
Blumenau, com a divisão da antiga delegacia de Proteção à Criança, Adolescente,
Mulher e Idoso em três unidades especializadas: a Delegacia de Atendimento à
Mulher, a Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente e ao Idoso e a
Delegacia do Adolescente em Conflito com a Lei. A mudança foi destacada como um
esforço de especialização para aprimorar a atividade investigativa.
Também foi mencionado o desafio da
falta de efetivo na Polícia Civil, com a expectativa de reforço no quadro de
agentes e escrivães até o final do ano, o que deve melhorar o atendimento e as
investigações. Por fim, foi sugerida a necessidade de aprimorar ou implementar
um protocolo de comunicação institucional entre os órgãos que atuam com
crianças e adolescentes em Blumenau, com o objetivo de tornar os fluxos de
atendimento mais integrados e eficientes.
O Ministério Público apresentou as
ações na Comarca de Blumenau, por meio do projeto Escola Restaurativa. A
iniciativa, construída com apoio da Secretaria Municipal de Educação, da rede
estadual de ensino e das equipes multidisciplinares, é baseada nos fundamentos
e conceitos vindos da Justiça Restaurativa, metodologia que tem mostrado
resultados positivos na resolução de conflitos complexos.
O projeto tem como principal objetivo
o fomento da cultura de paz nas escolas públicas e privadas de Santa Catarina,
por meio de ações de sensibilização, formação e capacitação voluntária
de pessoas interessadas em atuar na prevenção, mediação e resolução de
conflitos no ambiente escolar.
Foi destacado ainda que o projeto
Escola Restaurativa atua em três pilares principais: prevenção, resolução e
transformação de conflitos no ambiente escolar. A proposta busca envolver
diretamente as pessoas responsáveis pelos conflitos na construção das soluções,
evitando que os problemas se repitam e que haja o envolvimento de toda a
comunidade escolar. O objetivo é mobilizar toda a sociedade em torno da
construção de ambientes escolares mais seguros, acolhedores e preparados para
as futuras gerações.
Secretarias e órgãos municipais
A representante da Procuradoria da
Criança e do Adolescente da Câmara de Vereadores, Adriana Laurentino Moreira,
demonstrou sua preocupação com o sofrimento emocional presente no ambiente
escolar, percebido em crianças, famílias, professores e gestores durante
visitas realizadas às escolas para palestras sobre bullying, atos infracionais
e limites. Foi ressaltado que o adoecimento emocional tem atingido diferentes
setores da comunidade escolar e que a situação exige ações concretas e
efetivas. Ela também ressaltou que esse sofrimento e a violência nas escolas
acabam assumindo o espaço que deveria ser de aprendizado e construção de
conhecimento.
Em sua fala destacou ainda que
vítimas de violência, bullying e ameaças frequentemente enfrentam dificuldades
no acesso ao atendimento adequado, devido a falhas de encaminhamento,
comunicação entre órgãos e ausência de fluxos claros de atuação. Diante disso,
foi enfatizada a necessidade de fortalecer a articulação entre escola, família,
assistência social, saúde, Conselho Tutelar, segurança pública e Ministério
Público, para garantir respostas mais rápidas, preventivas e eficientes.
Também foi defendido o reforço dos
regimentos escolares, da autoridade legítima do professor e da formação dos
alunos sobre direitos, deveres, respeito e consequências de comportamentos
inadequados, como forma de contribuir para um ambiente escolar mais seguro e
organizado.
A secretária municipal de Educação,
Simone Probst, defendeu que o tema da segurança escolar não depende apenas da
implantação de sistemas e estruturas físicas de segurança, mas também do
enfrentamento dos problemas de saúde mental presentes na sociedade.
Nesse sentido, ela apontou que a
Secretaria Municipal de Educação criou uma diretoria específica voltada à
equidade, inclusão e segurança escolar, integrando programas e projetos
desenvolvidos em parceria com diferentes setores. Um dos principais avanços
apontados pela secretária foi a ampliação das equipes multiprofissionais nas
escolas.
Segundo a dirigente da pasta, em
2023, a rede contava com apenas dois profissionais, sendo um da área de
assistência social e um psicólogo; atualmente, são 57 profissionais, entre
psicólogos e assistentes sociais, atuando nas 132 instituições de ensino do
município para fazer o acompanhamento, acolher as demandas e fazer os
encaminhamentos necessários em conjunto com as diversas secretarias e órgãos
parceiros, que têm trabalhado na questão da saúde mental na cidade.
Os representantes da Defesa Civil do
município explanaram sobre um histórico de trabalho realizado juntamente com o
Corpo de Bombeiros em relação à segurança escolar que já vinha sendo
desenvolvido desde 2007, mas que época, as ações eram realizadas de forma mais
pontual e incluíam treinamentos de evacuação e abandono em algumas escolas, que
buscavam espontaneamente o apoio da corporação. A partir de 2012 foram
incluídas todas as escolas da rede municipal e a partir do ano de 2019 foram
incluídos todos os centros de educação infantil, onde são executadas as
capacitações e colocados em prática os planos de evacuação.
Já a partir de 2025, a Defesa Civil
passou a incluir também grande parte das escolas estaduais do município. Também
se destacou o projeto Defesa Civil na Escola e o Projeto Agente Mirim de Defesa
Civil, além de capacitações para professores e diretores, com foco na
preparação tanto de educadores quanto de alunos para situações de risco.
Plano Municipal de Segurança Escolar
A Defesa Civil explicou que Blumenau
já possui um Plano Municipal de Segurança Escolar, considerado pioneiro no país
e estruturado há cerca de dois anos. Reconheceu as dificuldades técnicas,
políticas e financeiras que atrasaram sua implementação, mas foi dito que, na
atual gestão, houve avanços significativos na retomada e execução das ações.
O plano é apresentado como resultado
de um trabalho integrado entre diversas instituições, incluindo Defesa Civil,
Secretaria de Educação, Saúde, Assistência Social, Guarda Municipal de
Trânsito, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, SAMU, Polícia Civil, Polícia
Rodoviária Federal e Polícia Científica, caracterizando uma construção técnica
e multidisciplinar.
Também foi esclarecido que as escolas
não são responsáveis por elaborar planos de segurança pública, mas sim por
organizar seus próprios protocolos internos de resposta, com base no plano
municipal. Isso envolve a definição de responsabilidades internas, fluxos de
comunicação e adaptação dos procedimentos à realidade física de cada unidade
escolar. Outro ponto destacado é que essa implementação está sendo feita de
forma gradual e estruturada e sendo conduzida pela Defesa Civil e pela
Secretaria de Educação.
Além disso, foi mencionado que a
capacitação dos profissionais da educação já está em andamento e está sendo
realizada em conjunto com o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil, a Secretaria de
Educação e Secretaria de Saúde. Foi informado que, atualmente, duas unidades
piloto já estão completamente capacitadas e já com simulados de ataque ativo
pré-agendados, que servirá de teste para a ampliação de toda a rede.
Próximos passos
Segundo a presidente, a partir deste
encontro, a ideia é criar grupos menores de discussões com temáticas para
estruturar melhor os encaminhamentos das próximas ações. Adiantou ainda a
possibilidade de visitas nas escolas para ouvir a comunidade escolar e estender
o convite para outras instituições que não compareceram nesta data. A próxima
reunião está agendada para o dia 11 de junho, às 9h, na Câmara.
Fonte: Assessoria de Imprensa CMB | Fotos: Rogério Pires | Imprensa CMB
Veja também
O álbum de fotos da reunião - Parte I
O álbum de fotos da reunião - Parte II
