Relatório final da CPI do Esgoto aponta falhas estruturais no contrato de concessão e será encaminhado ao Ministério Público
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Esgoto da Câmara de Blumenau foi encerrada na tarde desta quarta-feira (18), com a apresentação do relatório final dos trabalhos que investigaram possíveis irregularidades no contrato de concessão do serviço de esgotamento sanitário na cidade. O documento, elaborado pelo relator, vereador Egídio Beckhauser (Republicanos), será encaminhado ao Ministério Público e a outros órgãos competentes para análise e eventuais providências.
Instalada
no dia 3 de julho de 2025 para apurar alterações
contratuais promovidas especialmente por meio do 5º Termo Aditivo, a CPI
analisou documentos oficiais, processos administrativos, decisões regulatórias,
estudos técnicos e realizou oitivas com gestores públicos, representantes da
agência reguladora, da concessionária, da Funasa, além de técnicos e ex-agentes
políticos. Destaque para três ex-prefeitos que foram intimados a prestar
depoimento.
Detalhes do relatório
Como
conclusão dos trabalhos, o relatório consolida os principais achados da
investigação. Entre os pontos destacados estão fragilidades na modelagem
inicial da concessão, inconsistências na execução das metas de cobertura,
falhas na integração de obras financiadas com recursos federais e deficiências
na fiscalização e na regulação do contrato.
Um
dos eixos centrais do documento trata da possível existência de vício
estrutural na origem da concessão. Conforme apurado, a modelagem
econômico-financeira do contrato teria considerado uma cobertura projetada de
aproximadamente 23% no início da operação, somando redes implantadas e obras em
execução à época.
Contudo,
parte relevante dessa infraestrutura não estava concluída no momento da
assinatura, nem havia garantia jurídica vinculante de sua entrega, o que pode
ter impactado o equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato. O
relatório também registra a não aplicação imediata de redução tarifária
determinada na 3ª Revisão Tarifária Ordinária (RTO), apontando fragilidade na
implementação de decisões regulatórias e reflexos diretos para os usuários.
Outro
ponto abordado é o impacto institucional dos trabalhos da CPI. Durante o curso
das investigações, o Poder Executivo editou o Decreto Municipal nº 16.289/2025,
revogando o 5º Termo Aditivo. O relatório conclui que, embora a revogação tenha
esvaziado parte do objeto inicial da investigação, persistem questões
estruturais relacionadas à governança, à fiscalização contratual, à integração
de obras públicas ao sistema concedido e à proteção do princípio da modicidade
tarifária.
Entre
os encaminhamentos propostos estão a realização de auditoria técnico-contábil
no fluxo de caixa original da concessão, a análise comparativa entre a
cobertura física efetivamente implantada e aquela considerada na modelagem
tarifária inicial, o fortalecimento dos mecanismos de fiscalização e a revisão
de práticas administrativas e regulatórias.
Principais
encaminhamentos
Ao
destacar os principais encaminhamentos, o presidente da CPI afirmou que o foco
agora é a apuração de responsabilidades. Entre os pontos centrais está o pedido
de investigação sobre eventuais responsabilidades administrativas, civis ou por
ato de improbidade relacionadas à formalização da concessão ainda na gestão do
ex-prefeito João Paulo Kleinübing.
Segundo
o presidente da comissão, há indícios relevantes que precisam ser analisados
pelo órgão competente. “Nós não somos um tribunal. O que trazemos aqui são
evidências. Quem vai dizer se houve improbidade ou não é o Poder Judiciário.
Por isso, o relatório será submetido ao Ministério Público, que poderá levar
isso adiante”, afirmou Diego Nasato.
Durante
o seu pronunciamento, o presidente foi direto ao abordar a atuação da agência
reguladora. “A AGIR deveria prezar pelo correto cumprimento do contrato. Houve
descumprimento de decisão regulatória e não encontramos documentos que indiquem
qualquer providência adotada. Isso também precisa ser apurado”.
Por
fim, Nasato ressaltou que a revogação do 5º Termo Aditivo, ocorrida durante os
trabalhos da comissão, já representou um resultado concreto para a cidade. “Foi
uma vitória da população de Blumenau e da Câmara de Vereadores. A CPI não virou
pizza. Houve resultado prático”.
Ao
final da sessão, o relatório foi aprovado por unanimidade pelos cinco
vereadores que compõem a comissão. O documento será agora encaminhado às
autoridades competentes para análise das evidências reunidas ao longo da
investigação, encerrando formalmente os trabalhos da CPI.
O relatório final na íntegra pode ser acessado aqui.
Fonte: Assessoria de Imprensa CMB | Fotos: Rogério Pires | Imprensa CMB
Veja também:
O vídeo completo da reunião
O álbum de fotos da reunião
Relatório final da CPI do Esgoto aponta falhas estruturais no contrato de concessão e será encaminhado ao Ministério Público
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Esgoto da Câmara de Blumenau foi encerrada na tarde desta quarta-feira (18), com a apresentação do relatório final dos trabalhos que investigaram possíveis irregularidades no contrato de concessão do serviço de esgotamento sanitário na cidade. O documento, elaborado pelo relator, vereador Egídio Beckhauser (Republicanos), será encaminhado ao Ministério Público e a outros órgãos competentes para análise e eventuais providências.
Instalada
no dia 3 de julho de 2025 para apurar alterações
contratuais promovidas especialmente por meio do 5º Termo Aditivo, a CPI
analisou documentos oficiais, processos administrativos, decisões regulatórias,
estudos técnicos e realizou oitivas com gestores públicos, representantes da
agência reguladora, da concessionária, da Funasa, além de técnicos e ex-agentes
políticos. Destaque para três ex-prefeitos que foram intimados a prestar
depoimento.
Detalhes do relatório
Como
conclusão dos trabalhos, o relatório consolida os principais achados da
investigação. Entre os pontos destacados estão fragilidades na modelagem
inicial da concessão, inconsistências na execução das metas de cobertura,
falhas na integração de obras financiadas com recursos federais e deficiências
na fiscalização e na regulação do contrato.
Um
dos eixos centrais do documento trata da possível existência de vício
estrutural na origem da concessão. Conforme apurado, a modelagem
econômico-financeira do contrato teria considerado uma cobertura projetada de
aproximadamente 23% no início da operação, somando redes implantadas e obras em
execução à época.
Contudo,
parte relevante dessa infraestrutura não estava concluída no momento da
assinatura, nem havia garantia jurídica vinculante de sua entrega, o que pode
ter impactado o equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato. O
relatório também registra a não aplicação imediata de redução tarifária
determinada na 3ª Revisão Tarifária Ordinária (RTO), apontando fragilidade na
implementação de decisões regulatórias e reflexos diretos para os usuários.
Outro
ponto abordado é o impacto institucional dos trabalhos da CPI. Durante o curso
das investigações, o Poder Executivo editou o Decreto Municipal nº 16.289/2025,
revogando o 5º Termo Aditivo. O relatório conclui que, embora a revogação tenha
esvaziado parte do objeto inicial da investigação, persistem questões
estruturais relacionadas à governança, à fiscalização contratual, à integração
de obras públicas ao sistema concedido e à proteção do princípio da modicidade
tarifária.
Entre
os encaminhamentos propostos estão a realização de auditoria técnico-contábil
no fluxo de caixa original da concessão, a análise comparativa entre a
cobertura física efetivamente implantada e aquela considerada na modelagem
tarifária inicial, o fortalecimento dos mecanismos de fiscalização e a revisão
de práticas administrativas e regulatórias.
Principais
encaminhamentos
Ao
destacar os principais encaminhamentos, o presidente da CPI afirmou que o foco
agora é a apuração de responsabilidades. Entre os pontos centrais está o pedido
de investigação sobre eventuais responsabilidades administrativas, civis ou por
ato de improbidade relacionadas à formalização da concessão ainda na gestão do
ex-prefeito João Paulo Kleinübing.
Segundo
o presidente da comissão, há indícios relevantes que precisam ser analisados
pelo órgão competente. “Nós não somos um tribunal. O que trazemos aqui são
evidências. Quem vai dizer se houve improbidade ou não é o Poder Judiciário.
Por isso, o relatório será submetido ao Ministério Público, que poderá levar
isso adiante”, afirmou Diego Nasato.
Durante
o seu pronunciamento, o presidente foi direto ao abordar a atuação da agência
reguladora. “A AGIR deveria prezar pelo correto cumprimento do contrato. Houve
descumprimento de decisão regulatória e não encontramos documentos que indiquem
qualquer providência adotada. Isso também precisa ser apurado”.
Por
fim, Nasato ressaltou que a revogação do 5º Termo Aditivo, ocorrida durante os
trabalhos da comissão, já representou um resultado concreto para a cidade. “Foi
uma vitória da população de Blumenau e da Câmara de Vereadores. A CPI não virou
pizza. Houve resultado prático”.
Ao
final da sessão, o relatório foi aprovado por unanimidade pelos cinco
vereadores que compõem a comissão. O documento será agora encaminhado às
autoridades competentes para análise das evidências reunidas ao longo da
investigação, encerrando formalmente os trabalhos da CPI.
O relatório final na íntegra pode ser acessado aqui.
Fonte: Assessoria de Imprensa CMB | Fotos: Rogério Pires | Imprensa CMB
Veja também:
O vídeo completo da reunião
O álbum de fotos da reunião
